
Nas últimas semanas acompanhamos nos noticiários o estado clínico do apresentador Fausto Silva e sua cirurgia para o transplante de coração. Faustão foi internado no início de agosto com insuficiência cardíaca grave e alguns dias depois recebeu a notícia que precisaria de um transplante de coração. Ele entrou na fila de espera no dia 08 e passou pela cirurgia 19 dias depois.
A aparente “rapidez” com que o apresentador recebeu a doação levou algumas pessoas a questionarem a legitimidade do processo de transplantes de órgãos no Brasil, levantando teorias absurdas de que Faustão teria comprado o coração novo ou recebido alguma vantagem na fila por conta da sua fama.
No Brasil todo procedimento que envolve transplante de órgãos é administrado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e a fila é gerenciada pelo SNT (Sistema Nacional de Transplantes). Quando um paciente dá entrada no pedido de transplante, ele é automaticamente adicionado a uma única fila que não faz distinção entre a rede pública e a privada. A partir daí os critérios que definem a posição são determinados de acordo com parâmetros como urgência, idade, compatibilidade (tipo sanguíneo e porte físico) e principalmente a localização, já que um órgão encaminhado para doação possui um limite de tempo que pode ficar fora do corpo do doador até ser transplantado para o paciente.
Segundo a Coordenadora do SNT, Daniela Salomão, não é excepcional que pacientes de transplantes cardíacos sejam contemplados em menos de 30 dias e que a rapidez com que Faustão recebeu o órgão é motivo de orgulho e só prova de que o sistema de fato funciona.
Infelizmente já se tornou realidade no mundo virtual, usuários que chegam a conclusões precipitadas e sem nenhum embasamento e no caso do Faustão não foi diferente. Porém é possível observar ao menos um aspecto positivo diante de tanta desinformação. Nos últimos dias, as pesquisas pelo termo “Transplante de órgãos” dispararam no Google e muitos jornais publicaram matérias refutando essas fake news e legitimando o sistema de doação de órgãos no Brasil. Todo esse ruído levou muitos internautas, inclusive famosos, a se posicionarem publicamente como doadores. Em 2019 o assunto também ganhou destaque com a morte prematura do apresentador Augusto Liberato, o Gugu, que sempre manifestou o desejo de ter os seus órgãos doados e teve sua vontade respeitada.
Para ser um doador basta informar a família da sua vontade, já que no Brasil ela é a responsável em decidir se os órgãos e tecidos de um familiar serão ou não encaminhados para doação. Existem diversos projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretendem tornar automaticamente todo cidadão em um doador presumido, ou seja, se a pessoa não manifestar em vida o desejo contrário, os órgãos serão encaminhados para doação independente da vontade da família.
Enquanto a lei não sai do papel, o melhor caminho é a informação e o diálogo. Um adulto saudável pode doar órgãos, tecidos, ossos, pele, veias e artérias. Essa simples atitude altruísta pode salvar a vida de dezenas de pessoas.
Por Daniel Jardim