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A poucos dias da edição de 2025 do Oscar, Ainda Estou Aqui já se consagra como uma das produções brasileiras mais premiadas da história e está concorrendo em três categorias. Apesar do seu destaque e visibilidade internacional, o filme de Walter Salles não foi a primeira produção brasileira a concorrer a uma estatueta na premiação norte-americana.

Enquanto aguardamos na torcida a cerimônia do próximo domingo, vamos relembrar alguns títulos nacionais que já passaram pelo Oscar:

 

O Pagador de Promessas (1962)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Anselmo Duarte

Indicação: Melhor Filme Internacional

 

O Pagador de Promessas foi o primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar e o primeiro sul-americano a disputar o prêmio de Melhor Filme Internacional. O longo foi baseado na peça de teatro homônima escrita por Dias Gomes, que conta a história de Zé do Burro, um humilde agricultor do interior da Bahia que sofre o preconceito de um padre católico que o impede de cumprir uma promessa feita em um terreiro de Candomblé.

 

O filme aborda temas sensíveis como a intolerância religiosa e a reforma agrária e até hoje foi a única produção sul-americana a vencer a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França.

 

O Quatrilho (1995)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Fábio Barreto

Indicação: Melhor Filme Internacional

 

Baseado em uma história real, o filme estrelado por Glória Pires e Patrícia Pilar é ambientado no Rio Grande do Sul. A produção acompanha o drama de dois casais de amigos que dividem a mesma casa. Do convívio surge uma relação extraconjugal entre a uma das mulheres com o marido da outra. O novo casal decide deixar suas famílias e se entregar ao romance proibido.

 

O Que É Isso, Companheiro? (1997)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Bruno Barreto

Indicação: Melhor Filme Internacional

 

Estrelando Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Selton Mello, Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Montenegro, o filme conta a história do sequestro do Embaixador Americano por grupos de guerrilheiros que lutavam contra a ditadura militar no Brasil. Embora o sequestro de fato tenha ocorrido em 1969, o filme toma algumas licenças ficcionais alterando nomes e acontecimentos.

 

A produção dividiu opiniões entre a crítica nacional e internacional.

 

Central do Brasil (1998)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Walter Salles

Indicações: Melhor Filme Internacional; Melhor Atriz

 

Em Central do Brasil, Fernanda Montenegro interpreta Dora, uma professora aposentada que escreve cartas para pessoas analfabetas e que conhece Josué, um garoto que acaba de perder a mãe atropelada por um ônibus e precisa de ajuda para encontrar o seu pai no Nordeste do país.

 

O filme foi aclamado pela crítica e é considerado uma das obras mais importantes e premiadas do cinema brasileiro. Além as indicações ao Oscar, o longa trouxe para o Brasil o prêmio de Melhor Filme de Não Inglesa no BAFTA e o melhor Filme em Língua Estrangeira no Globo de Ouro. Fernanda Montenegro também fez história ao ser a primeira atriz sul-americana a concorrer ao prêmio de melhor atriz tanto no Oscar quanto no Globo de Ouro.

 

Cidade de Deus (2002)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Fernado Meirelles

Indicações: Melhor Diretor; Melhor Roteiro Adaptado; Melhor Fotografia; Melhor Edição

 

Um dos maiores sucessos de Fernando Meirelles, Cidade de Deus relata através os olhos do personagem Buscapé a dominação da sua comunidade do Rio de janeiro pelo crime organizado. A produção é considerada uma obra-prima do cinema brasileiro, quanto pelo seu impacto documental quanto visual.

 

O elenco também é um dos principais destaques do filme, Meireles optou por trabalhar com atores não profissionais que fossem familiarizados com o dia a dia das favelas do Rio de Janeiro e assim pudessem levar mais autenticidade aos seus papéis.

 

O Menino e o Mundo (2013)

 

Animação – Curta Metragem

Direção: Alê Abreu

Indicação: Melhor Filme de Animação

 

O Menino e o Mundo é uma experiência visual fantástica. A animação foi feita utilizando materiais facilmente encontrados em escolas como lápis de cor, giz de cera e recortes de papel, o que garante ao filme uma estética lúdica única. O enredo acompanha a trajetória do menino Cuca através do seu país fictício em busca de um futuro melhor. O Menino e o Mundo foi o primeiro filme brasileiro a concorrer na categoria de Melhor Filme de Animação no Oscar.

 

Democracia em Vertigem (2019)

 

Documentário – Longa Metragem

Direção: Petra Costa

Indicação: Melhor Documentário de Longa Metragem

 

O documentário de Petra Costa faz um registro dos principais acontecimentos políticos que marcaram o Brasil entre 2015 e 2019 passando pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o julgamento e prisão do então ex-presidente Lula e a ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência da República. Para além do aspecto político, o filme faz uma reflexão sobre as relações de poder e ideologias. No âmbito internacional, foi considerado como “uma advertência a todas as democracias do mundo”.

 

Ainda Estou Aqui (2025)

 

Drama – Longa Metragem

Direção: Walter Salles

Indicações: Melhor Filme; Melhor Filme Internacional; Melhor Atriz

 

Sucesso absoluto de público e aclamado pela crítica, Ainda Estou Aqui se consagra ao lado de Central do Brasil e Cidade de Deus como um dos maiores filmes da história do cinema brasileiro.

 

No filme, Fernanda Torres interpreta Eunice Paiva, uma personagem histórica que marcou o cenário político e social do país ao lutar pelos direitos civis e nunca desistir de provar que o seu marido, o deputado Rubens Paiva, foi sequestrado e morto pelo regime militar. O filme extrapola o cenário político e dá espaço para o lado emocional das pessoas que sofreram com os abusos da ditadura e que, apesar do luto e do medo, sempre tiveram esperança em dias melhores e nunca deixaram de acreditar na democracia.

 

Reconhecido internacionalmente, Ainda Estou Aqui conquistou diversas indicações em festivais internacionais e conquistou o prêmio inédito para o Brasil de Melhor Atriz de Drama no Globo de Ouro pela atuação majestosa de Fernanda Torres.

 

Apesar da concorrência acirrada, Ainda Estou Aqui é um dos favoritos para levar as estatuetas na edição de 2025 do Oscar. A cerimônia acontece no próximo domingo (2 de março) a partir das 21h00.