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É o fim da Netflix?

Está semana a Netflix gerou revolta entres os usuários ao mudar sua política de compartilhamento de contas, passando a cobrar R$ 12,90 por acesso que for feito fora da residência do titular, justificando que cada assinatura só pode ser utilizada por um núcleo familiar. A Netflix foi umas das pioneiras nos serviços de streaming e sempre foi reconhecida pela qualidade técnica de sua plataforma e a diversidade de conteúdos originais, mas essa medida abalou a sua relação com o público e expôs uma contradição com a sua própria história.

Em 1997, os fundadores da Netflix, Reed Hastings e Marc Randolph, estavam insatisfeitos com as multas por atraso cobrados pelas locadoras de filmes e pensando em uma alternativa para que as pessoas tivessem mais liberdade para assistir filmes. Eles então criaram um serviço de aluguel de DVDs pelo correio, em que os clientes pegavam quantos filmes quisessem e não tinham prazo para devolver. O streaming como conhecemos foi lançado em 2007, mesmo ano que a plataforma chegou no Brasil. A ideia de assistir filmes e séries pela internet era tão inovadora na época, que os comerciais de divulgação precisaram explicar para o público o que era um serviço de streaming. Logo a Netflix caiu nas graças dos brasileiros, que encontraram na plataforma uma alternativa prática e mais barata do que a TV por assinatura. Como consequência da qualidade e da quantidade de títulos generosa em seu catálogo, a Netflix também contribuiu para que os brasileiros buscassem menos a pirataria.

A entrada de outras empresas no mundo do streaming fez com que a Netflix perdesse espaço de mercado. Com isso, inúmeros filmes e séries deixaram o seu catálogo, já que grandes estúdios como Disney, Universal, Warner Bros., HBO, Paramount e outros começaram a trazer seus produtos para seus próprios streamings. O novo cenário forçou a Netflix a mudar sua estratégia de negócios, apostando em produções originais e conteúdos regionais, como 3% (Brasil), Round 6 (Coreia do Sul), La Casa de Papel (Espanha) e Dark (Alemanha). Mas só isso não foi suficiente para fechar as contas e a empresa se viu obrigada a mexer nas mensalidades, cobrando valores mais altos pelas assinaturas com mais qualidade de imagem e ainda inserindo anúncios em planos mais baratos.

A tentativa mais recente de aumentar o faturamento foi cobrar pelo compartilhamento de contas. Como era de se esperar, a mudança gerou revolta entre os usuários e as críticas à empresa explodiram nas redes sociais. A reação dos usuários foi diversificada, muitos declararam que pretendem cancelar o serviço, outros deram dicas de como driblar os mecanismos da plataforma para não receber a cobrança adicional e alguns chegaram à conclusão de que o melhor negócio é voltar à pirataria. Teve até quem provou matematicamente que é mais vantajoso assinar vários outros serviços de streaming simultaneamente do que pagar a mensalidade da plataforma com a taxa adicional. A comoção foi tanta que o Procon de São Paulo acionou a Netflix para prestar esclarecimentos sobre a nova cobrança.

Ainda não sabemos se o streaming vai ou não manter a decisão após tanta polêmica, nem se os órgãos governamentais vão intervir de alguma forma. Fato é que a Netflix sai com a imagem extremamente desgastada com a consecutiva inversão dos próprios valores. Infelizmente, a missão da empresa que um dia foi “permitir que o acesso a filmes e outros conteúdos seja simples” está ficando cada vez mais distante.

Por: Daniel Jardim

Contribuiu: Maria Cristina Mazza