
Inteligência Artificial e o Audiovisual
Apesar de não ser novidade para os entusiastas da tecnologia, o avanço da Inteligência Artificial nos últimos meses fez com que o tema ganhasse grande destaque na mídia e gerou muita discussão nas redes sociais. De fato, softwares como o ChatGPT que simulam conversas com uma naturalidade impressionante, aproximaram o grande público desse tipo de tecnologia, mas a IA já está presente em nosso dia a dia há algum tempo e no mercado audiovisual não é diferente.
Antes de mais nada, é preciso entender o que é a IA. À grosso modo, a inteligência artificial é uma máquina com capacidade de absorver e interpretar informações (aprendizado de máquina ou machine learning) e tomar decisões com base no que aprendeu. Um exemplo disso é o ChatGPT, que consegue compreender o que o usuário está dizendo e retorna com a resposta mais apropriada dentro de suas limitações.
Outro uso muito comum da IA são nos serviços de streaming e nas redes sociais, trabalhando como um algoritmo superpoderoso que se adapta a rede. O sistema das plataformas é capaz de rastrear atividades, através de diferentes serviços e dispositivos, identificando hábitos de consumo e criando um perfil preciso, para indicar conteúdos, produtos e serviços personalizados, retendo a atenção do usuário por muito mais tempo.
Do ponto de vista da produção, a IA é frequentemente usada como ferramenta para otimizar o tempo dos profissionais de edição e finalização de vídeo, já que tarefas repetitivas (e muitas vezes chatas) como redução de ruídos, limpeza de áudio, recortes e rastreamento de objetos, podem ser automatizadas, liberando os editores para se concentrarem em funções mais criativas. Há também processos que somente a IA é capaz de fazer, como aumentar a resolução de um conteúdo (upscalling), colorir vídeos em preto e branco e até mesmo aumentar o FPS (taxa de quadros por segundo), gerando novos quadros entre os originais.
Geradores de texto também podem ser usados para a criação de conteúdo, e suas limitações são praticamente as limitações do usuário na hora de pedir algo para a IA. Quando questionado sobre o a sua própria utilização no mercado audiovisual o ChatGPT respondeu:
“O ChatGPT é capaz de gerar texto coerente e relevante com base em um prompt inicial fornecido pelo usuário. Isso significa que ele pode ser usado para escrever roteiros, sinopses e até mesmo diálogos de filmes e séries.”
E de fato, o Chat poderia ser usado para criar um filme do zero. O que nos leva para a discussão sobre a ética por trás do uso da IA no mercado de trabalho. É justo que uma tecnologia desenvolva o mesmo trabalho que roteiristas, ilustradores, designers, músicos e outros profissionais criativos que passaram anos estudando e praticando a sua arte? A história nos mostra mais de um momento em que a força de trabalho humana foi substituída por máquinas, estaríamos diante de mais um?
“A IA ainda é incapaz de substituir completamente a criatividade humana, e muitas vezes a intervenção humana é necessária para dar sentido ou contexto às obras geradas pela IA.”
Repare que o ChatGPT usou a palavra “ainda” para se referir a incapacidade da IA de substituir a criatividade humana, ou seja, a própria Inteligência admite que exista a possiblidade disso acontecer. Nesse momento que as coisas podem ficar perigosas, enquanto a IA for uma ferramenta para otimizar o trabalho seu uso é bem-vindo, se for além disso vai ser hora a questionar qual é o custo do desenvolvimento da inteligência artificial em prol da inteligência humana.
“Em resumo, a IA pode ser uma ferramenta valiosa para melhorar a criatividade e a eficiência em atividades criativas, mas é importante que as pessoas sejam conscientes e cuidadosas no seu uso, mantendo o controle e a supervisão do processo criativo humano.” – ChatGPT
Por Daniel Jardim
Colaborou Bruno Palmieri, ChatGPT