
Eu acredito que uma parte essencial de qualquer atendimento ao público é ter uma escuta ativa, isso é, prestar atenção no que estão te dizendo e interpretar como essa fala interage com o contexto que está inserida. Muitas vezes o que um cliente pede não é exatamente o que ele precisa. Ele tem uma dor que precisa ser solucionada, mas não tem certeza de como fazer isso. Por não estar familiarizado com o mercado de mídia e conteúdo, a visão que ele possui nem sempre leva à uma produção eficiente. Por isso quando inicio uma conversa com um cliente eu procuro entender o que ele precisa, qual é essa dor e de que forma eu posso ajudar.
Certa vez um especialista em LGPD me procurou querendo produzir um spot para rádio. Não é exatamente o nosso nicho de serviço, mas tínhamos os equipamentos e o know-how para fazer o projeto. Ele me contou que precisava divulgar a empresa para atrair novos clientes e achava que fazer propaganda no rádio seria uma boa solução. De fato, a necessidade de divulgar os serviços existia e o alcance do rádio poderia ajudar com isso. Mas seria esse o melhor caminho? Será que o cliente tinha noção dos custos envolvidos em fazer uma campanha em rádio? Provavelmente não. E ainda que o dinheiro não fosse um problema, esse tipo de divulgação certamente não seria a mais eficaz para o público que pretendíamos alcançar. Com mais um pouco de conversa, expliquei que um anúncio bem-feito e veiculado na internet seria muito mais efetivo e certamente teria um custo-benefício muito melhor. No final ele acabou concordando e seguimos por essa linha. Claro que eu jamais cobraria do meu cliente ter esse tipo de percepção, afinal sua área de atuação era completamente diferente e entender a real necessidade e direcioná-lo para o melhor caminho faz parte do meu trabalho.
Valores são outro ponto delicado. Eu tento ao máximo argumentar com o meu cliente que saber qual é a verba disponível me ajuda bastante na hora de desenhar o projeto. A maioria prefere não falar em valores logo de cara, alegando que “não quer colocar preço no meu trabalho”, o que é muito justo, mas nem sempre é eficiente. Quando eu pergunto a verba para o projeto não é porque eu quero ter a comodidade de trabalhar com o primeiro preço, eu nem considero que entramos na fase de negociação ainda, mas é simplesmente porque quando falamos em orçamentos de produções audiovisuais o céu é o limite. Recentemente o banco Itaú faz uma campanha com a Madona e apenas o cachê da cantora foi de modestos R$ 60 milhões. Isso sem contar o restante da produção, que certamente não ficou muito atrás. Como não são todos os players que podem dispor desse montante para realizar suas ações de divulgação, saber até onde o meu cliente pode chegar me ajuda muito a desenvolver um projeto sob medida para ele, tanto para alcançar o seu objeto quanto para caber no seu bolso.
Isso também é um exercício diário para produtores, nós buscamos sempre trabalhar com o máximo em nível técnico e artístico, mas o cliente nem precisa de uma produção cinematográfica, o que importa é que a sua mensagem seja transmitida de forma clara, com qualidade e que atinja o público certo. Fazer o simples bem-feito também é difícil, mas é um desafio prazeroso. O resultado vai ser um cliente satisfeito e um projeto executado com sucesso.
Por Daniel Jardim