
A Formula 1 é conhecida por ser o pico da tecnologia automotiva. Equipes com orçamentos de 135 milhões de dólares por ano, criam os carros mais rápidos do mundo, com aerodinâmica mais complexa que um ônibus espacial, eletrônicos mais avançados que um Tesla e motores que ultrapassam os 1000cv de potência.
Os atletas que guiam esses carros aguentam forças de até 7G nas curvas (7x o peso do próprio corpo), enquanto disputam posições, ajustam configurações no volante, falam com sua equipe pelo rádio, atingindo velocidades de até 370KM/H.
Mas isso a maioria já sabe, o que nos passa despercebido é engenharia por trás da transmissão da F1. Ela é tão tecnológica e cara quanto os carros e não há nenhuma outra cobertura ao vivo no mundo que chegue perto de sua complexidade.
Semana retrasada recebemos a F1 aqui no Brasil, mas como ela não utiliza os serviços locais, toda a infraestrutura de transmissão veio em seus 6 aviões cargueiros e 54 contêineres marítimos, contendo toda a carga necessária para a realização do GP.
Semanas antes da corrida, uma equipe de 130 pessoas montam a base de transmissão temporária de 375m², adicionando 60 Km de cabeamento pelo circuito, 38 antenas, 126 câmeras, 147 microfones e 30 sensores de tempo, além dos 20 carros que carregam até 5 câmeras e do helicóptero de transmissão, resultando em 500 terabytes de dados transmitidos por corrida. O resultado é a maior cobertura esportiva que o mundo já viu, com ângulos de cada curva, cada detalhe dos carros e cada botão que o piloto aciona no volante.

A F1 ainda não utiliza drones em muitas corridas, porque eles não são rápidos os suficiente para acompanhar os carros, por isso o helicóptero ainda é a melhor opção. Para quem já assistiu a um GP pessoalmente, ver o helicóptero seguindo os carros é um show a parte!
Devido a escala da operação necessária para atender 74 emissoras de TV, o próprio streaming e uma audiência global de 1,5 bilhões de espectadores, uma equipe de 170 pessoas trabalham remotamente em Biggin Hill na Inglaterra – onde fica o centro de transmissão da F1 – comandando a transmissão gerada no autódromo.

A sala principal contém 415 monitores, 60 linhas de comunicação, onde a experiente equipe seleciona todos os cortes que assistimos em nossas casas, interceptando 20 rádios de equipe e gerando os gráficos que nos ajudam a entender a corrida.

Estes são os gráficos mais avançados da indústria. A telemetria dos carros é capaz de mostrar a exata posição na pista, velocidade, marcha, uso de freios e acelerador, tempos de volta e muito mais, que somado aos sensores de pista e a inteligência artificial completam os dados, nos mostrando previsões climáticas, possibilidades de ultrapassagem, possíveis estratégias de pit stop e comparações entre os pilotos. Tudo em tempo real e com precisão britânica.

Você acompanha tudo da sua casa, na emissora local ou através do F1 TV, o “Netflix” da Formula 1. Nesse app você pode escolher qual câmera assistir, a língua da narração ou apenas o delicioso som dos carros. É possivel assistir as corridas ao vivo ou replays na íntegra, bem como cortes rápidos de 5, 10 e 30min, para você que está com pouco tempo.
A cada ano a F1 aumenta a capacidade de sua transmissão, com 4k HDR passando a ser uma tecnologia cada vez mais utilizada. Eu como fã de automobilismo e profissional do audiovisual mal posso esperar pelo que veremos a seguir.
Por: Bruno Palmieri